No último final de semana, um grupo de 200 famílias de sem-teto que ocupava um conjunto habitacional na altura do Km 19 da rodovia Raposo Tavares, na divisa entre a cidade de São Paulo e Osasco, enfrentou uma ação de reintegração de posse, uma remoção e acabou acampado no meio da rua Poraquê, também na divisa entre os dois municípios.
O grupo, segundo integrantes, que preferiram não se identificar, ocupava há cerca de 3 meses, irregularmente, o conjunto habitacional Paranapiacaba, construído pela Cohab, na Raposo, em São Paulo. Na última sexta-feira, foram retirados do local, pela Polícia Militar, em cumprimento a ação de reintegração de posse ganha pelos proprietários.
Ainda na madrugada de sexta-feira, as cerca de 200 famílias seguiram para Osasco e invadiram um conjunto habitacional do programa Minha Casa, Minha Vida, no Jardim Belmonte. Na seqüência, foram removidos do local, também em ação da Polícia Militar e da Guarda Civil Municipal (GCM).
O mais curioso, nessa “saga”, é que o conjunto invadido em Osasco também tem parte de seus apartamentos destinada a sem-teto. Construído em parceria com a prefeitura, o residencial, que é o primeiro do programa Minha Casa, Minha Vida da região destinado a famílias com renda entre 0 e 3 salários mínimos, vai atender os assentados do acampamento Carlos Lamarca, formado pelo movimento, há cerca de 6 anos, no Jardim Novo Osasco, em uma creche abandonada, após sofrerem uma seqüência de despejos. Além deles, serão beneficiadas com os apartamentos pessoas que moram em áreas sob as torres da AES Eletropaulo na cidade e beneficiários do programa Bolsa Aluguel que foram retirados de áreas de risco. O empreendimento aguarda liberação de licenças para fazer a entrega das chaves.
Após essa segunda remoção, que aconteceu no último sábado, os cerca de 800 invasores rumaram de volta para o conjunto da CDHU. Eles tentaram uma nova ocupação, mas foram impedidos de entrar e, até o fechamento desta edição, estavam instalados na rua do empreendimento, que fica na divisa com Osasco.
“Estamos em uma situação desesperadora. Temos cerca de 200 crianças aqui, além de várias gestantes. Nem água estamos recebendo. Só estamos aqui porque não temos para onde ir”, disse uma das integrantes do movimento.
Fonte: WEB Diário