Os soldados Fernando dos Santos Filho, 31 anos, e Thiago Rodrigues de Oliveira, de 24, foram presos em flagrante após atirarem em três policiais civis que faziam uma investigação na Avenida Brasil, em Osasco, Grande São Paulo, na noite de terça. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, os policiais militares dispararam quando os investigadores já estavam rendidos. Os presos integravam a Força Tática, espécie de tropa de elite da PM de São Paulo.
Por volta das 19h30, policiais do SIG (Setor de Investigações Gerais) de Franco da Rocha cumpriam um mandado relacionado a uma inquérito de estelionato. O investigado era um comeciante de 61 anos, tio da assistente administrativa Gisela Cardoso, de 32. Foi ela que ligou 190 ao notar uma movimentação suspeita em frente à casa da família. “Não tinha como advinhar que eram da polícia”. Com exceção de grupos operacionais, policiais civis não trabalham uniformizados.
Fogo ‘amigo’/A PM, diz Gisele, chegou em cinco minutos ao local. De acordo com o boletim de ocorrência, registrado pela Corregedoria da Polícia Civil, sete militares cercaram a casa, mas apenas cinco entraram.
Dentro do imóvel, os PMs mandaram os investigadores deitarem no chão. O sargento que comandava a operação (seu nome não foi divulgado) admitiu em depoimento que o trio avisou por várias vezes pertencer à Polícia Civil. Mesmo assim, os três foram baleados. Cada policial foi ferido por dois tiros – um foi atingido na região do joelho, o outro na mão e o terceiro no rosto e clavícula. Dois deles passaram por cirurgia. O investigador que teve alta acompanhou o registro da ocorrência e desmentiu a versão da PM de que apenas dois soldados atiraram. Em seu depoimento, ele disse que os militares gritaram “cala a boca, filho da puta” quando foram avisados que eles também eram policiais. Segundo a SSP, os sete PMs tiveram as armas apreendidas e são averiguados.
Em nota, a Polícia Militar esclareceu que os investigadores foram “prontamente atendidos” e que o órgão corregedor da coorporação também vai apurar a ocorrência. O coronel Álvaro Camilo, comandante da PM, foi procurado durante toda a tarde de ontem, mas não foi localizado. O delegado Délio Montresoro, chefe da Corregedoria da Polícia Civil, informou que não iria se manifestar. Os soldados presos foram levados para o Presídio Romão Gomes.
Fonte: Diário de S. Paulo